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Pimenta do Élbio - 01º/05/2011

Mais um trecho do livro do prof. Élbio, Jesus, Filho de Deus ou Filho do Homem:

Perpétua Virgindade

O Dogma da Perpétua Virgindade de Maria foi proclamado em 1854. Com isso ficou imposto que Maria, a mãe de Jesus, foi virgem do seu nascimento até sua assunção ao Reino dos céus.

A concepção, em condição de virgindade (hímen intacto) não é nenhum absurdo. O nascimento de avatares (Zaratustra, Krishna, Fo-Hi, Kin-Tsé, Apolônio de Tiana, entre outros) é relatado como tendo sido de virgens que engravidaram.

Por isso, no caso de Jesus, fica ainda mais fácil, para nós, cristãos, aceitar a imaculada concepção.

O que é complicado de aceitar é a virgindade de Maria após o nascimento de Jesus. O Mestre nasceu da mesma forma e pela mesma abertura que normalmente nascem as crianças, com o que não existe possibilidade de Maria ter mantido a virgindade fisica, mantendo, isto sim, sua enorme pureza moral e espiritual.

Na hipótese que, após o nascimento de Jesus, por um novo milagre do Espírito Santo, seus tecidos tivessem sido reconstituídos e ela tomasse a dispor de virgindade fisica, ainda assim, para que ela continuasse sendo perpetuamente virgem seria necessário que ela e José nunca se houvessem tocado, renunciando a ter uma vida normal de casal, o que além de improvável, não é respaldado pelas Escrituras Sagradas:

1. "... deu à luz o filho primogênito" (Lucas 2: 17). Primogênito é o primeiro filho, não filho único. Se Jesus era o primogênito, Maria teve, depois dele, outros filhos.

2. "... e não a conheceu até que desse à luz" (Marcos 1: 25). A Escritura Sagrada é clara: José não conheceu, isto é, não teve relações sexuais com Maria até ela dar à luz. Depois disso a vida dos dois deve ter sido como a de qualquer casal.

3. "... a mãe e os irmãos estavam (...) tua mãe e teus irmãos querem... " (Mateus 12: 46-47, Marcos 3: 32, Lucas 8: 19-20). A palavra usada para irmãos nos textos originais, em grego, é adelphos, que significa irmão de sangue, não primos-irmãos (como querem uns) ou irmãos de fé (como pretendem outros). Logo, Jesus teve irmãos, com o que a virgindade fisica é impossível.

4. "Não se chama sua mãe Maria e seus irmãos Tiago e José, Simão e Judas? Suas irmãs... " (Mateus 13: 55-56). O povo fala nos irmãos e irmãs de Jesus, ligando-os diretamente a Maria, não a supostos tios (logo, não eram primos). Não eram irmãos de fé, pois Jesus apenas iniciava sua pregação, não estando cercado de discípulos.

5. "... com a mãe, os irmãos e os discípulos" (João 2: 12). Não eram irmãos de fé; irmãos de fé eram os discípulos.

6. Ver ainda: "... nem mesmo seus irmãos acreditam nele" (João 7: 5); "... a mãe de Jesus, e seus irmãos" (Atos 1: 14); "... Tiago, o irmão do Senhor" (Gálatas 1: 19). Palavra usada nos textos originais: adelphos (irmão de sangue, em grego).

Maria teve, portanto, cinco filhos e (pelo menos) duas filhas. Sua integridade, sua pureza, então, era espiritual: por ter concebido o Messias, participado de todas as dificuldades, presenciado seu ministério e sofrido intensamente com seu martírio.

Virgindade fisica além de não ter respaldo dos Evangelhos, contraria o sentido das palavras de Jesus: "O espírito é que dá vida. A carne de nada serve" (João 6: 63). O Mestre ensina que o corpo não tem a importância que lhe dão as pessoas desavisadas. O que realmente importa é o espírito.

Podemos, ainda, considerar que tal perpétua virgindade seria a revogação, para o nascimento de Jesus, de uma lei natural (criada por Deus). Certamente que Deus tem poder para tal. Mas Jesus disse: "Não vim para revogar a lei ... "; e, certamente, não se referia apenas à lei de Moisés.

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