Pular para o conteúdo principal

Livro: O Doce Veneno do Escorpião

Bruna Surfistinha. SP: Ed. Panda Books, 2005. 168 p.

O livro vendeu 250000 exemplares, a história foi manchete até no New York Times e vai virar filme com a Débora Secco no papel principal.

Bom, alguma coisa deve ter aí, pensei. E até tem mesmo.

É que sexo vende. Vende porque todo mundo faz e quer fazer bem feito. Um livro que vem de uma profissional da área deve ter algo a dizer.

E por isso, muitos tiveram a curiosidade em torno de um relato totalmente despido (desculpem, não resisti ao trocadilho infame) de hipocrisias, que mostra a rotina, as malandragens e o que pensa uma garota de programa.

Não é elegante ou romanceado. É um texto autobiográfico sobre uma vida incomum (?) e com uma sistematização interessante, fragmentada em trechos didaticamente organizados.

A história de vida dela, moça de baixa autoestima, que foi adotada por família rica e "rebelde sem causa", cleptomaníaca, bulímica, usuária de drogas, bissexual que vê no sexo a maneira mais fácil de ser independente, é escrita sem rodeios, o que torna a leitura bastante ágil.

Algumas passagens são à primeira vista contraditórias, como quando ela afirma gostar da "vida", pois se sentia valorizada, por alguém querer pagar para fazer sexo com ela, mas logo em seguida escrever que se arrependia amargamente de entrar nessa, entre outras.

Também fala sobre algumas curiosidades e preferências sexuais obscuras de alguns clientes, o que é aspecto interessante e diz algo sobre a alma humana (principalmente, a masculina), que dificilmente outro "ramo de trabalho" conseguiria abordar...

Ela não faz juízos de valor dos clientes e também não fica justificando suas atitudes. Esse desprendimento da moral instituída é talvez a grande sacada do livro.

Embora ela saiba que haverá consequências para seus atos e ela não os nega e em determinados trechos parece até desejá-las. Lembra um pouco o que pregava Raul Seixas na sua Sociedade Alternativa - faze o que tu queres, onde tu queres, com quem quiseres.

Só que como o próprio Raul explicou mais para frente, também aguentes o que virá daí...

No fim das contas, é uma leitura curiosa pelo caráter biográfico (me amarro em relatos de vidas pouco usuais), mas no aspecto literário, não acrescenta grande coisa.

Nota: 6,5

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filme: A Esposa

The Wife EUA 101 min Direção: Elenco: Gleen Close,  Jonathan Pryce, Christian Slater Enquanto viaja para Estocolmo com o marido, que receberá o Prêmio Nobel de Literatura, Joan questiona suas escolhas de vida. Durante os 40 anos de casamento, ela sacrificou seu talento, sonhos e ambições, para apoiar o carismático Joe e sua carreira literária. Assediada por um jornalista ávido por escrever uma escandalosa biografia de Joe, agora Joan enfrentará o maior sacrifício de sua vida e alguns segredos enterrados finalmente virão à tona. Gosto de filmes que começam de um modo e aos poucos vão se revelando e mudando as expectativas iniciais da trama. Este é um deles.  Um roteiro cheio de sutilezas, bem dirigido e potencializado por ótimas atuações, em especial, claro, da Gleen Close. Olivia Colman foi bem em A Favorita, mas nem perto do desempenho da protagonista deste filme aqui. Tanto as palavras quanto os silêncios dela dizem tudo. Performance sensacional, mesmo. ...

Filme: Moneyball - O Homem Que Mudou o Jogo

Moneyball EUA, 2011 - 132 min Drama Direção: Bennett Miller Elenco: Brad Pitt, Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright Adaptação do livro Moneyball: The Art of Winning An Unfair Game . Conta a história de um gerente de um pequeno time de basebol que revolucionou o esporte ao trazer um sofisticado programa de estatísticas feitas em computador para o clube. Assim, ele conseguiu fazer com que sua equipe ficasse entre as melhores no início do século. Filme de esporte padrão, talvez mais interessante por ter um envelhecido Brad Pitt (agora sim, já aparentando no rosto os seus quase 50 anos, embora tenha corpo de 25...) do que pela sua história verídica, que não passa de interessante, apenas. Boas atuações, tudo certinho, inclusive está indicado a Melhor Drama do vindouro Globo de Ouro, mas nesse gênero, já vi inúmeros melhores (o que me dá uma ideia boa para o próximo Lista ...). Nota: 7,0 Cotação no IMDb: 7.9 (18.500 votos) Trailer legendado

Festival Hitchcock - Lista Final

Depois de postar por 26 dias seguidos, um filme por dia do Mestre do Suspense, talvez alguns amigos tenham perdido alguma coisa e então vou facilitar as recomendações finais sobre a filmografia do grande diretor. Obviamente pode gerar controvérsias, afinal, gosto é gosto, mas essa aqui, para quem quiser conferir por ordem de qualidade, é a minha lista, com a sinopse oficial e a minha nota para os 10 Melhores Filmes de Alfred Hitchcock. 10 - Marnie - Confissões de uma Ladra (1964) Marnie é uma mulher pertubada psicologicamente que vai trabalhar para Mark Rutland e tenta roubá-lo. Só que Mark acaba casando com ela e tenta ajudá-la a curar sua doença, confrontando o seu passado. Nota: 8,0 9 - Um Corpo Que Cai (1958) Madeleine é uma bela mulher que vem sofrendo com uma crise de identidade: ela tem visões e um comportamento estranho. Seu marido pede a John Ferguson, um detetive aposentado e que sofre de acrofobia, que investigue as saídas misteriosas da esposa. Inicialmente, Scottie reluta,...