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Palestra Motivacional (?)

Dia desses perguntei à minha coordenadora se haveria naquela segunda, a nossa reunião habitual de professores. Ela respondeu que não, que eu não lembrava (que novidade...) que naquele dia teríamos ela, a famosa Palestra Motivacional!

Acho que pela cara que eu fiz, ela quis saber se eu não gostava desse tipo de atividade. Putz, pra não me alongar, só o nome da atividade, já me torce o nariz.

Motivação para mim é trabalhar em algo que eu amo, é ter condições de sustentar minha família com o meu próprio suor. Não penso que algo que alguém de fora vá me dizer, me fará ter mais motivação para exercer meu trabalho.

Mas eu disse a ela que o que eu não gostava nesse tipo de dinâmica de autoajuda, eram aquelas práticas já batidas como dancinhas, abraços coletivos, etc.

Entretanto, não me estendi no assunto e aguardei a atividade da noite.

Chegada a hora, vejo no nosso salão, onde seria a palestra, todo um aparato tecnológico que incrementaria aquela atividade filantrópica - o palestrante ministrou sua fala gratuitamente para nossa instituição, em uma iniciativa muito legal.

E pontualmente, começou. Apagam-se as lâmpadas do salão e se inicia um jogo de luzes e cores, mais imagens no telão, de tal forma estroboscópica que não sei se estou em um circo, num teatro ou em uma balada.

Um voz grave nos introduz ao artista, digo, ao palestrante e à sua palestra com nome de música do Rei. De cara, já vem um daqueles powerpoints virais de email, com nenês e música emocionante, daqueles que eu deleto de primeira da caixa de entrada.

Após, uma breve autoapresentação do palestrante, mãos à obra! Ele nos manda fechar os olhos e começa a recitar (e nós, tendo que repetir) uma letra de música pop.

Lentamente, o remelecho aumenta. Já temos que cantar e também ficar de pé, fazendo uma dancinha (eu disse...). Disso, para um axé totalmente swingado da Ivete, é um pulinho.

A mulherada a mil, se requebrando e o arrenegado aqui, sentado, só pensando em que a minha aula ficaria melhor no outro dia se eu participasse daquele sacolejo todo...

Terminado o agito introdutório, com a mente cheia de endorfina, vamos às reflexões sobre alegria, amizade, etc.

E aí, tchan, tchan, tchan, tchan! Lá vem ele, o que não falha nunca: o abraço coletivo (eu não disse!!!!!)!!!!

Eu, que venho de família italiana, me criei em ambiente cheio de abraços e beijos (inclusive entre os homens), me irrito um pouco com a ideia de fazer algo tão bacana por imposição de alguém.

Gosto de abraçar uma pessoa, porque gosto dela, e não porque alguém mandou. Esse tipo de método, liquida toda a espontaneidade desse gesto.

Aí, começo a refletir, como é triste isso. Sim, porque acho mesmo que tem pessoas que precisam deste momento, ainda que fabricado, pessoas que não tem esse tipo de carinho em casa.

E mais ainda, me senti afortunado quando o palestrante começou a discorrer sobre valores sociais, pessoais, profissionais, espirituais... Nada do que ele falava, para mim era novidade.

Sempre fui ensinado pelos meus maravilhosos pais sobre tais valores morais e éticos. E o que não preenchido pelos meus genitores, o foi pelo meu estudo - que só pude ter graças a eles.

E quando finalizamos a atividade com o fantástico, mas manjado vídeo do violonista Tony Melendez (fiquei em dúvida se ele usaria este, o do pai triatleta ou o Filtro Solar), realmente agradeci a Deus por ter me dado tanto nessa vida.

Isso porque tive uma família exigente e amorosa ao extremo. Porque pude estudar e me formar na profissão que eu amo. Por trabalhar em um lugar espetacular que me faz ver o mundo com olhos diferentes. Por ter uma esposa e filhos de outro mundo e que amo desmedidamente. Por ter amigos que sabem o que sinto e preciso sem que eu sequer precise abrir a boca...

Minha vida toda é cheia de pequenos milagres. Tudo o que me motiva está aí em cima.

Eu realmente penso que "a felicidade não é uma estação a qual você chega, mas uma maneira de viajar".

Mas acredito - de verdade - que essas palestras são importantes, pois nem todo mundo tem a sorte de ver o mundo da mesma forma que eu tive a possibilidade de aprender a ver.

Só não me convidem para uma delas...

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