Pular para o conteúdo principal

Do Tempo do Epa - 8º/09/10

Por C. Henrique Mércio

AVA GARDNER


Olhos verdes; cabelos castanhos; muita atitude; “o animal mais belo do mundo”, segundo Jean Cocteau.

Assim era Ava Lavinia Gardner, sétima filha de um casal de fazendeiros pobres de Brogden, na Carolina do Norte. Aos dezoito anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio de fotografias de seu cunhado, na 5ª Avenida em Nova Iorque, chamou a atenção de um caça-talentos da Metro Goldwyn Mayer, que a contratou pela sua exuberância.

Com Clark Gable em Mogambo, de 1954, no papel que rendeu sua única indicação ao Oscar

Por essa razão, seus primeiros filmes foram inexpressivos, com Ava interpretando mulheres bonitas. Seu talento dramático só surgiu ao trabalhar com bons atores como Gregory Peck, Clark Gable ou Richard Burton ou grandes diretores como Henry King (Neves do Kilimanjaro/1952), John Ford (Moganbo/1953) e John Houston (A Noite do Iguana/1964).

Sorte nas telas, azar na vida privada. Seu primeiro marido foi o ator Mickey Rooney e ficaram casados pouco mais que um ano. Rooney parecia ser do tipo “eterno adolescente”, quando Ava Gardner era assunto para gente grande.

Não deu certo e ela tentou então alguém maduro e intelectualizado: Artie Shaw, o músico. Shaw discutia qualquer assunto, era um erudito, um sofisticado. Queria a todo custo que a atriz se interessasse pelos seus assuntos mas ainda assim, fazia pouco dela diante de seus amigos. Também não durou mais que um ano.

The Voice e o Mais Belo Animal do Mundo

Por fim, seu terceiro casamento com o cantor Frank Sinatra é que deixou marcas indeléveis em ambos. Ava, muito independente e Sinatra, um típico latino, viviam às turras. Brigas homéricas, porres colossais, ela um dia aborreceu-se da fama de “destruidora de lares” e mandou o velho Blue Eyes passear, refugiando-se na Espanha, onde iniciou um romance com o toureiro Luis Miguel Dominguin.

Arrasado, Sinatra (que costumava reagir a contrariedades destruindo o que estava à sua volta), chegou ao fundo do poço. Humilhado, perdeu até mesmo a voz, mas gravou aquele que é considerado o seu melhor trabalho, “In The Wee Small Hours”, onde canta as dores do amor, mulheres perdidas e a solidão.

Quanto à Ava, não mais se casou e radicou-se em Madri em 1955. Problemas com o Fisco a fizeram mudar-se para Londres em 1968. Nunca foi esquecida, tanto que é considerado um ícone do cinema do Século XX.

Frank também não a esqueceu. Quando ela sofreu um derrame cerebral em 1989, Sinatra bancou todo o seu tratamento. Especula-se que as despesas médicas tenham consumido cerca de um milhão de dólares. Ava Gardner morreu em 1990. Em Londres morava com Morgan, um cão que a acompanhou até seus últimos dias.

Ava e Burt Lancaster em The Killers de 1946

“Escute, sou um veneno para mim e qualquer um que esteja à minha volta” – Fala de Kitty Collins, personagem de Ava em “Os Assassinos”/1949.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filme: A Esposa

The Wife EUA 101 min Direção: Elenco: Gleen Close,  Jonathan Pryce, Christian Slater Enquanto viaja para Estocolmo com o marido, que receberá o Prêmio Nobel de Literatura, Joan questiona suas escolhas de vida. Durante os 40 anos de casamento, ela sacrificou seu talento, sonhos e ambições, para apoiar o carismático Joe e sua carreira literária. Assediada por um jornalista ávido por escrever uma escandalosa biografia de Joe, agora Joan enfrentará o maior sacrifício de sua vida e alguns segredos enterrados finalmente virão à tona. Gosto de filmes que começam de um modo e aos poucos vão se revelando e mudando as expectativas iniciais da trama. Este é um deles.  Um roteiro cheio de sutilezas, bem dirigido e potencializado por ótimas atuações, em especial, claro, da Gleen Close. Olivia Colman foi bem em A Favorita, mas nem perto do desempenho da protagonista deste filme aqui. Tanto as palavras quanto os silêncios dela dizem tudo. Performance sensacional, mesmo. ...

Filme: Larry Crowne - O Amor Está de Volta

Larry Crowne EUA, 2011 - 98 min Comédia / Romance Direção: Tom Hanks Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Bryan Cranston, George Takei, Cedric 'The Entertainer' Quando dois, nem digo super, mas sim, mega-astros se unem para estrelar um filme, o senso comum diz que ele deve ser no mínimo, interessante. Hã... não. Larry Crowne não é bom, não. A trama é a seguinte: depois de ser demitido, o amável Larry Crowne volta para a faculdade, onde se apaixona por sua professora casada. Uma historinha mixuruca, Tom Hanks atuando como se fosse Forrest Gump 2 e Julia Roberts no papel mais chato de sua vida. Pelo menos Hanks, mesmo com um roteiro fraco em mãos, mostra uma ótima mão para dirigir em um incrível hiato de 15 anos sem praticar a habilidade em longas (só havia dirigido o ótimo The Wonders do distante 1996). E o grande George Takei (o eterno Sulu de Star Trek) rouba a cena todas as vezes em que surge na tela. Genial. Até dá pra assistir, mas só se não tiver nada, mas bota nada realmen...

Filme: Juntos Pelo Acaso

Life As We Know It EUA, 2010 - 115 min. Comédia/Drama/Romance Direção: Greg Berlanti Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas, Christina Hendricks, Jean Smart Tá ficando muito brabo assistir comédias românticas yankees. É tudo tão padronizado que chega a irritar. Tudo bem que se eu fosse produtor e me dissessem que eu gastaria uns U$ 20 milhões e arrecadaria fácil, o dobro ou mais que isso com um filme que já vem com uma fórmula certeira - casal-principal-não-se-dá-bem-porém-depois-veem-que-são-feitos-um-pro-outro-mas-brigam-a-20-min-do-final-mas-acabam-ficando-juntos , talvez eu gostasse da ideia. Mas sendo espectador, é um saco ver sempre a mesma coisa. Salvo raras exceções como os filmes da Nancy Meyers (sim, sou homem, mas gosto dos filmes dela...) que primam pela esperteza de diálogos e uma maior sensibilidade, ou por outros como A Proposta , que foi extremamente engraçado, a grande maioria da produção deste gênero está sendo muito chato de aguentar. Esse Juntos Pelo Acas...