Pular para o conteúdo principal

Internet: democracia e intolerância de mãos dadas


Certa vez, em um grupo de estudo religioso, ouvi certo conceito, que me surpreendeu. Falava que ermitões e afins (que na época, eu tinha como pessoas de grande elevação espiritual, desapegadas das coisas materiais) estavam na contramão da escalada evolutiva.

Isso de devia ao fato de alguém só poder evoluir por um embate social, por um confronto constante de ideias e situações adversas, é que uma pessoa poderia se tornar melhor. Como disse Nietzsche, "o que não te mata, te torna mais forte".

Ficar isolado em uma montanha ou algo do gênero, apenas refletindo, meditando, não te daria esse poder de superação. É o famoso adágio: de nada adianta ter uma grande teoria se ela não for aplicada na prática.

E dia desses, lendo o blog do grande David Coimbra, vi como essa coisa da globalização da internet faz com que nós nos deparemos com todo tipo de gente e que disso nasce um jogo de cintura que faz com que tenhamos que ser melhores a cada dia.
JustificarEm certo post, foi pedido ao David, editor de esportes da Zero Hora, mas notoriamente homem de leitura e cultura mais amplas, que fizesse uma lista - também é notório o apreço dele por listas - dos 20 melhores filmes que já havia visto.

Um pedido inocente e que teve uma resposta à altura com o David postando não 20, mas 58 ótimos filmes de gêneros variados e pedindo, em atitude bacana e interativa, que seus leitores o ajudassem a eleger os 20 melhores dentre os que ele listou.

Então o que se viu a seguir foi um exemplo claro de como tem tantas pessoas tem o hábito irritante de que querer impôr sua verdade à dos outros.

"Raul" fez um comentário extremamente agressivo e pedante, listando filmes clássicos que ficaram de fora da lista e que se o David os havia negligenciado, nem deveria tentar fazer uma lista dessas.

Ora, a lista não tinha a intenção de ser um documento cinematográfico de importância primordial e sim, um rol de bons filmes vistos pelo autor. Será que só apenas cineastas, críticos e catedráticos da indústria da 7ª arte é que podem dar opinião sobre isso?

Outros leitores colocaram a sua lista de 20 filmes! A opinião pedida foi a do DAVID! Se querem tanto dizer o que pensam, que façam um blog então e coloquem suas opiniões lá e não fiquem usando o espaço de alguém mais famoso para aparecer...

Houve também quem criticasse a lista do David. Mas peraí, ele simplesmente escreveu o que pediram. Quem não gostou da lista, que não dê bola pra ela.

É como se eu fosse na casa de alguém e ficasse botando defeito na decoração... Gosto é gosto e o blog é do David! Não te agradou o gosto dele? Não leia mais o blog.

Mas não é só coisa ruim. "Paulo Roberto" foi um oásis de bom senso quando escreveu:

"Grande David. Não há porque tirar 20. Talvez acrescentar outros tantos, pois escolher apenas este número reduzido de filmes, é muita injustiça a tudo que já foi produzido na chamada sétima arte.

Como disse alguém por aí, tem gosto pra tudo. Apontaria Blade Runner do Ridley Scott, como o melhor de todos. Uma obra-prima. Na minha opinião é claro.
"

Essa democracia total que a internet propicia - e que sempre defenderei -, onde cada um escreve o que vem na telha é importante por dar liberdade de expressão às pessoas, também em inúmeras vezes, evidencia flagelos sociais, como a falta de educação e amplitude de ideias daqueles que ali estão comentando (ou xingando, debochando...) os textos.

Não gosto nunca de generalizar um assunto, só que neste caso específico, me incomodou demais a postura inoportuna e deselegante desses internautas.

Este meu texto não vai mudar nada, mas é a forma que tenho de me solidarizar com os escritores que tem de aguentar algumas idiotices em nome da democracia.

O bom é que eles, que não são ermitões e não vivem em uma bolha, vão crescer com isso ao contrário dos seus bitolados detratores...

Comentários

Renata disse…
Nossa...precisamos aplaudir esse tipo de iniciativa e um texto tão bem escrito! Esse é o meu maninho!!!

Postagens mais visitadas deste blog

Filme: A Esposa

The Wife EUA 101 min Direção: Elenco: Gleen Close,  Jonathan Pryce, Christian Slater Enquanto viaja para Estocolmo com o marido, que receberá o Prêmio Nobel de Literatura, Joan questiona suas escolhas de vida. Durante os 40 anos de casamento, ela sacrificou seu talento, sonhos e ambições, para apoiar o carismático Joe e sua carreira literária. Assediada por um jornalista ávido por escrever uma escandalosa biografia de Joe, agora Joan enfrentará o maior sacrifício de sua vida e alguns segredos enterrados finalmente virão à tona. Gosto de filmes que começam de um modo e aos poucos vão se revelando e mudando as expectativas iniciais da trama. Este é um deles.  Um roteiro cheio de sutilezas, bem dirigido e potencializado por ótimas atuações, em especial, claro, da Gleen Close. Olivia Colman foi bem em A Favorita, mas nem perto do desempenho da protagonista deste filme aqui. Tanto as palavras quanto os silêncios dela dizem tudo. Performance sensacional, mesmo. ...

Filme: Larry Crowne - O Amor Está de Volta

Larry Crowne EUA, 2011 - 98 min Comédia / Romance Direção: Tom Hanks Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Bryan Cranston, George Takei, Cedric 'The Entertainer' Quando dois, nem digo super, mas sim, mega-astros se unem para estrelar um filme, o senso comum diz que ele deve ser no mínimo, interessante. Hã... não. Larry Crowne não é bom, não. A trama é a seguinte: depois de ser demitido, o amável Larry Crowne volta para a faculdade, onde se apaixona por sua professora casada. Uma historinha mixuruca, Tom Hanks atuando como se fosse Forrest Gump 2 e Julia Roberts no papel mais chato de sua vida. Pelo menos Hanks, mesmo com um roteiro fraco em mãos, mostra uma ótima mão para dirigir em um incrível hiato de 15 anos sem praticar a habilidade em longas (só havia dirigido o ótimo The Wonders do distante 1996). E o grande George Takei (o eterno Sulu de Star Trek) rouba a cena todas as vezes em que surge na tela. Genial. Até dá pra assistir, mas só se não tiver nada, mas bota nada realmen...

Filme: Juntos Pelo Acaso

Life As We Know It EUA, 2010 - 115 min. Comédia/Drama/Romance Direção: Greg Berlanti Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas, Christina Hendricks, Jean Smart Tá ficando muito brabo assistir comédias românticas yankees. É tudo tão padronizado que chega a irritar. Tudo bem que se eu fosse produtor e me dissessem que eu gastaria uns U$ 20 milhões e arrecadaria fácil, o dobro ou mais que isso com um filme que já vem com uma fórmula certeira - casal-principal-não-se-dá-bem-porém-depois-veem-que-são-feitos-um-pro-outro-mas-brigam-a-20-min-do-final-mas-acabam-ficando-juntos , talvez eu gostasse da ideia. Mas sendo espectador, é um saco ver sempre a mesma coisa. Salvo raras exceções como os filmes da Nancy Meyers (sim, sou homem, mas gosto dos filmes dela...) que primam pela esperteza de diálogos e uma maior sensibilidade, ou por outros como A Proposta , que foi extremamente engraçado, a grande maioria da produção deste gênero está sendo muito chato de aguentar. Esse Juntos Pelo Acas...