Pular para o conteúdo principal

Azedume

Qual colorado conseguiu dormir direito esta noite?

Depois de ter várias chances de gol e de ter um pênalti absurdamente não marcado, o Inter toma um gol de time mirim aos 49 do segundo tempo. É dose para elefante.

Mas vamos por partes. Vamos dividir as parcelas de culpa de maneira ponderada.

Giovani Luigi, presidente do Inter reclamou que o time perdeu muitos gols e ainda citou o nome do Damião, como tendo várias chances de marcar. Na minha visão, é uma declaração um pouco contestável. Existe uma diferença gigantesca entre "gol perdido" e "gol criado e desperdiçado".

Zé Roberto, Guiñazú e Cavenaghi entraram na cara do goleiro (pena que todos caíram na "perna ruim", embora quem ganhe salários de 6 dígitos, tenha obrigação, no mínimo, moral, de ter destreza em qualquer uma delas) e não meteram a bola pra dentro. Isso é gol perdido.

Damião teve 5 chances de marcar, 4 delas de cabeça. Em todas, ele criou a chance usando sua técnica e imposição física, conseguindo vencer a dura marcação dos adversários, mais severa do que o habitual por jogar sozinho na frente.

Ele não ganhou nenhum passe tipo "toma, vai lá e faz", como os anteriores. As chances só aconteceram porque ele conseguiu se sobrepor à enorme marcação.

E o fato de ele não ter marcado gol em nenhuma dessas suas grandes jogadas, para mim só tem uma explicação lógica: olho gordo do Alecsandro. Certo que depois dos 3 gols contra o Pelotas, o ex-9 fez alguma espécie de macumba, enterrou uma caveira de burro, vodu, ou algo do gênero para bloquear os caminhos do guri. Só pode ser...

Mas e o gol ridiculo que nós tomamos? Construção coletiva da pior espécie e castigo tão duro que tem que ter alguma repercussão.

Primeiramente, claro, tinha que ter o dedo do Celso Roth, que ou faz porcaria na entrada ou na saída, ele não consegue passar sem uma.

Ele que promoveu a estreia do Bolatti, armou um meio-campo bloqueando quase que todas iniciativas do Emelec. Aí, quando Roth viu que o Sandro loiro jogava muita bola, já tinha marcado um gol, inclusive, ele tinha que dar o ar da graça.

Tirou o cara, 1,90m, sem qualquer problema físico (o próprio Bolatti disse que poderia tranquilamente jogar até o final) e colocou um terceiro zagueiro de 1,82m. Desta forma, Roth conseguiu várias coisas de uma vez só:
  1. Matou nosso meio-campo, que com um jogador a menos não conseguiu mais conter o time equatoriano;

  2. Embolou a zaga com um jogador a mais em um esquema que ele nunca treinou, com 3 zagueiros. Nenhum deles sabia para onde devia ir e isso chamou o Emelec para dentro da nossa área;

  3. E o óbvio, perdeu força aérea defensiva, justamente a forma que levamos o gol fatídico.

Claro que o Guiñazú (que deveria ter sido expulso, por um carrinho maluco que deu lá no campo defensivo dos caras) fazendo uma falta idiota no meio do campo, com o cara de costas pro nosso gol e restando apenas 10 segundos para terminar o jogo, foi de uma infantilidade atroz para um jogador tão experiente.

Claro que a saída ruim do Lauro, ficando no meio do caminho (ele já tinha falhado em mais duas saídas que quase resultaram em gols equatorianos) foi fundamental.

Claro que o Damião, não pode deixar um cara menor que ele resvalar a bola nas costas bem na marca do pênalti.

Mas que a maior falha, foi, pra variar, do nosso técnico, ninguém me prova o contrário.

Bueno, vamos comentar também o que foi bom, senão vão me chamar de ranzinza. Cavenaghi entrou muito bem mais uma vez. Foi até bonito ver os 3 argentinos, ele, D'Ale e o Guina no final do jogo só trocando bola no meio, no melhor estilo toco e me voy.

Bolatti, nem se fala. Ajeitou todo o meio. Até o Mathias jogou bem (mas como o Roth, ele não pode passar sem uma; fez uma falta estúpida na frente da nossa área que quase deu em gol do Emelec).

Por mais que me doa dizer, a saída do Tinga foi positiva. Ele vinha jogando muito mal este ano. No meu time, ele iria para a reserva também.

A zaga desta vez, jogou melhor. De resto, o que já estamos acostumados: D'Ale e Kléber lentos, mas de técnica superior, Nei marcando bem e apoiando mal, Zé Roberto dá boas arrancadas mas não consegue concluir as jogadas, Lauro dando sustos...

Foi melhor do que vinha sendo. Essa é a boa notícia. A ruim, é que já deveria estar bem melhor, se a escalação ajudasse um pouquinho mais colocando o Muriel no gol, o Cavenaghi desde o início no lugar do Mathias, etc, etc...

Celso Roth, Celso Roth... que saco, dormi com esse encosto me azucrinando a noite inteira...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filme: A Esposa

The Wife EUA 101 min Direção: Elenco: Gleen Close,  Jonathan Pryce, Christian Slater Enquanto viaja para Estocolmo com o marido, que receberá o Prêmio Nobel de Literatura, Joan questiona suas escolhas de vida. Durante os 40 anos de casamento, ela sacrificou seu talento, sonhos e ambições, para apoiar o carismático Joe e sua carreira literária. Assediada por um jornalista ávido por escrever uma escandalosa biografia de Joe, agora Joan enfrentará o maior sacrifício de sua vida e alguns segredos enterrados finalmente virão à tona. Gosto de filmes que começam de um modo e aos poucos vão se revelando e mudando as expectativas iniciais da trama. Este é um deles.  Um roteiro cheio de sutilezas, bem dirigido e potencializado por ótimas atuações, em especial, claro, da Gleen Close. Olivia Colman foi bem em A Favorita, mas nem perto do desempenho da protagonista deste filme aqui. Tanto as palavras quanto os silêncios dela dizem tudo. Performance sensacional, mesmo. ...

Filme: Larry Crowne - O Amor Está de Volta

Larry Crowne EUA, 2011 - 98 min Comédia / Romance Direção: Tom Hanks Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Bryan Cranston, George Takei, Cedric 'The Entertainer' Quando dois, nem digo super, mas sim, mega-astros se unem para estrelar um filme, o senso comum diz que ele deve ser no mínimo, interessante. Hã... não. Larry Crowne não é bom, não. A trama é a seguinte: depois de ser demitido, o amável Larry Crowne volta para a faculdade, onde se apaixona por sua professora casada. Uma historinha mixuruca, Tom Hanks atuando como se fosse Forrest Gump 2 e Julia Roberts no papel mais chato de sua vida. Pelo menos Hanks, mesmo com um roteiro fraco em mãos, mostra uma ótima mão para dirigir em um incrível hiato de 15 anos sem praticar a habilidade em longas (só havia dirigido o ótimo The Wonders do distante 1996). E o grande George Takei (o eterno Sulu de Star Trek) rouba a cena todas as vezes em que surge na tela. Genial. Até dá pra assistir, mas só se não tiver nada, mas bota nada realmen...

Filme: Juntos Pelo Acaso

Life As We Know It EUA, 2010 - 115 min. Comédia/Drama/Romance Direção: Greg Berlanti Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas, Christina Hendricks, Jean Smart Tá ficando muito brabo assistir comédias românticas yankees. É tudo tão padronizado que chega a irritar. Tudo bem que se eu fosse produtor e me dissessem que eu gastaria uns U$ 20 milhões e arrecadaria fácil, o dobro ou mais que isso com um filme que já vem com uma fórmula certeira - casal-principal-não-se-dá-bem-porém-depois-veem-que-são-feitos-um-pro-outro-mas-brigam-a-20-min-do-final-mas-acabam-ficando-juntos , talvez eu gostasse da ideia. Mas sendo espectador, é um saco ver sempre a mesma coisa. Salvo raras exceções como os filmes da Nancy Meyers (sim, sou homem, mas gosto dos filmes dela...) que primam pela esperteza de diálogos e uma maior sensibilidade, ou por outros como A Proposta , que foi extremamente engraçado, a grande maioria da produção deste gênero está sendo muito chato de aguentar. Esse Juntos Pelo Acas...