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Mete o Rock! - 11/02/2011

Dia de homenagear outra baita banda gaúcha: a Cidadão Quem.

Como toda galera da minha geração (por volta dos 30 anos), a gente se criou vendo a Malhação na Globo. E qual não foi a nossa surpresa por ver a linda música "Os Segundos" na trilha sonora da novelinha?

Já conhecíamos a banda pela Atlântida desde 92 por seu disco de estreia, Outras Caras.

Ali, já dava pra ver que não era mais uma bandinha que lançava mais um álbum qualquer. Letras bem escritas, belas melodias e uma produção bacana e pelo menos, quatro músicas de exceção.

"Carona", "No Quiero Armas", "Por Você" e "A La Recherche" tocaram até dizer chega na rádio e puxavam a fila como as melhores do disco de estreia.

Aliás, antes disso, Duca, que com apenas 17 tinha lançado um disco solo, foi convidado por ninguém menos que Bob Dylan para abrir seus shows no Brasil. Quer dizer, de fato, não era uma banda comum...

Quatro anos depois, veio o segundo CD (nessa época, já era esse o formato mais usado), A Lente Azul, que na minha opinião, não foi tão marcante como o primeiro.

Porém, o álbum tinha um mérito intransferível: continha talvez, a melhor música da história da banda, justamente, a supracitada, "Os Segundos".

E a partir da inclusão dela, na trilha da Malhação, que a Cidadão surgiu para o Brasil e que achávamos, tomaria conta do cenário nacional.

Entretanto, talvez pelo disco todo não ser tão bom, e o grande público não procurar conhecer o anterior, a coisa não bombou.

Então, com sua abrangência ficando eminentemente aqui no sul, a banda retoma as gravações e de forma independente, volta a fazer um grande trabalho. Em 1998, sai Spermatozoon.

"Dia Especial", "Bossa", "Um Dia" e outra clássica, "Pinhal", são as melhores canções que compõem o disco e que também, tocam adoidadas durante vários meses.

Nesse mesmo ano, mais dois fatos marcantes para a banda: a morte do baterista Cau Hafner em um acidente de paraquedas e o lançamento do primeiro livro de Duca Leindecker, "A Casa da Esquina", terceiro mais vendido da Feira do Livro de POA de 98.

Já com Paula Nozzari nas baquetas, a banda volta a trabalhar com uma gravadora (Warner) e lança Soma em 2000.

Este disco tem algumas inéditas, mas é mais uma revisão de músicas anteriores, com a produção de Tom Capone.

Considerado um dos maiores do ramo no Brasil, o cara trabalhou com feras do naipe de Legião Urbana, Raimundos, O Rappa, Skank, Gilberto Gil, Mílton Nascimento, entre muitos outros.

Com uma divulgação e alcance maiores na mídia, este disco os leva a tocar no Rock'n'Rio III e Festival de Salvador.

Em 2002, é lançado mais um bom CD da banda, Girassois da Rússia.

"Ao Fim de Tudo", "Girassois" e "Yoko" são as mais lembradas deste álbum, que teve boa repercussão aqui no sul, mas em nível nacional, nada mais relevante.

Neste trabalho, uma colaboração inédita e que persiste até hoje: Fernando Peters na guitarra de apoio.

Em 2003, Duca lança seu segundo livro, "A Favor do Vento", que até hoje segue tendo projetos de ser levado ao cinema, com o próprio Duca auxiliando como roteirista.

E depois de 12 anos do lançamento do seu disco de estreia, o inevitável: disco acústico ao vivo.

Em 2004, uma compilação dos grandes sucessos da sua obra, resulta no excelente Ao Vivo no Theatro São Pedro.

Todas as melhores canções dos discos anteriores estão aqui e mais algumas inéditas, como - ótimo título - "Música Inédita".

Além disso, também há algumas parcerias que ficaram balaca, como com Mônica Tomasi em "Bossa" e com Humberto Gessinger no cover de "Terra de Gigantes".

Como esperado, foi o maior sucesso de público e crítica da história da banda, que rodou o país com este trabalho.

Três anos depois eles voltam com um álbum de inéditas, 7, que é um trabalho que mantém o espírito acústico do anterior, mas com um viés um pouco mais introspectivo que de costume.

"Amanhã Colorido" e "Boa Noite, Cinderela" são as mais lembradas.

Só em seguida deste lançamento, a banda interrompe suas atividades para o baixista Luca Leindecker iniciar tratamento contra um câncer, mieloma múltiplo.

Nisso, em 2008, Duca une forças a Humberto Gessinger (que também havia interrompido suas atividades com os Engenheiros) e começam o projeto Pouca Vogal.

Com um disco naquele ano e outro CD+DVD no seguinte, é o que restou para os fãs da Cidadão continuarem curtindo o trabalho pretérito do Duca e cia.

Eu, particularmente, não curti tanto o som da Pouca Vogal, quanto gostava do da Cidadão, então, espero que o Luca se recupere logo e que os irmãos possam se unir novamente e nos presentear com as belas canções as quais eles nos mal-acostumaram durante tantos anos...

Vídeo de Pinhal, no Planeta Atlântida de 2006


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