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Duets: Bonequinha de Luxo

Hoje vou inaugurar uma nova modalidade de postagem, o Duets.

Consiste em dar opinião sobre duas versões de um determinado trabalho. Nesse primeiro caso, serão os comentários sobre o livro e filme Bonequinha de Luxo, um clássico em ambas plataformas.

O livro de 1958 é obra de Truman Capote. Para quem não conhece, é o escritor americano mais famoso dentro do gênero de jornalismo literário e a história de como escreveu sua obra mais famosa, A Sangue Frio, é contada no filme Capote, aquele que deu o Oscar a Phillip Seymour Hoffman.

Aqui, escrevendo em forma de ficção, Capote nos presenteia com uma prosa leve e maliciosa ao mesmo tempo, nos dando personagens complexos, com doses de drama, romance e comédia em equilíbrio perfeito.

Holly Golithtly é a apaixonante protagonista, misto de charme, beleza e vulnerabilidade. Os demais personagens - o narrador sem nome, o barman, a amiga escandalosa, os "amores" mesmo sendo também muito bem construídos dentro daquele contexto, são apenas escadas para as aparições sempre interessantíssimas de Holly.

Bem curtinho, menos de 100 páginas, tem talvez um final meio abrupto e de fato, pouco convencional, mas de acordo com a personalidade criada por Capote à sua personagem principal, foi coerente.

Bem legal.

Obs.: a edição que li, da Companhia das Letras, 2008, vem com um plus de mais três pequenos contos interessantes de Capote (o que me enganou, pois achei que eram capítulos posteriores de Bonequinha de Luxo e só depois, com a leitura adiantada, me dei conta do engano).

Nota: 7,5

Já o filme dirigido pelo mestre das comédias, Blake Edwards (Pantera Cor-de-Rosa, Convidado Bem Trapalhão), morto no fim do ano passado, tem uma leitura mais leve ainda que o livro.

Tendo liberdades ao texto que o originou, ele tira personagens, coloca outros e adiciona algumas tramas, subtraindo outras. Ele até dá nome ao narrador, que no livro é chamado apenas de "Fred" por Holly.

Audrey Hepburn no papel de sua vida (embora seu único Oscar tenha vindo de A Princesa e o Plebeu, este aqui é o personagem icônico dela), dá um brilho magnífico à adorável "impostora de verdade", termo bem feliz para ilustrar a complexa personalidade de Holly.

A história aqui, se permite a um desfecho mais aprazível ao grande público, menos ousado que o de Capote, bem diferente do livro, o que sempre gera controvérsias. Emocionalmente, gosto do do final, mas pela razão, o do livro faz mais sentido.

De qualquer forma, é uma rica comédia romântica, com uma trilha sonora maravilhosa de Henry Mancini, além de ser capitaneada por uma das maiores e mais lindas atrizes que o mundo já viu. Para os fãs do cinema, é obrigatório.

Nota: 7,5

Cotação no IMDb: 7.8 (38.771 votos)

Vídeo com algumas das facetas de Holly Golightly


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