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Filme: A Paixão de Joana D'Arc

La Passion de Jeanne d'Arc
França, 1928 - 88 min
Drama
Direção: Carl Theodor Dreyer
Elenco: Maria Falconetti, Eugene Silvain, André Berley, Maurice Schutz, Antonin Artaud, Michel Simon


Não sou daqueles puristas que se veem um filme antigo, obrigatoriamente tem uma opinião superfavorável dele, colocando-o num pedestal.

O cultuado A Morte Cansada de Fritz Lang, eu achei apenas bom.

Agora, esse A Paixão de Joana D'Arc é de arrepiar. Ele mostra o terrível julgamento de Joana e todas as provações que ela teve que passar para sustentar sua verdade - e o preço que pagou por isso.

Tem várias curiosidades que me chamaram a atenção e por isso resolvi ver o filme (e não me arrependi):
  • Nenhum ator usou maquiagem. A crueza das expressões faciais é impressionante;

  • Os diálogos foram integralmente transpostos dos arquivos do julgamento de Joana, para a tela;

  • A versão original deste filme ficou durante 60 perdida - os primeiros negativos foram queimados em um incêndio. No começo dos anos 90 foi encontrada uma cópia muito aproximada do original em um hospício (!) da Dinamarca.
    Essa cópia foi restaurada e é a que dizem, ser praticamente idêntica à original;

  • Naquela época, os filmes mudos eram exibidos com um pianista dando a trilha sonora. Porém, o diretor não quis esse recurso para dar mais dramaticidade à interpretação do seu elenco.
    Nesta cópia restaurada, há uma trilha composta especialmente, que encaixa direitinho com o filme. Fica a critério do espectador então: quem quiser (eu quis), que desligue o som;

  • Por ser uma produção modesta, quase todo ele é filmado em closes, o que exacerba o efeito dramático das atuações;

  • A interpretação de Joana por Maria Falconetti, é considerada uma das maiores da história do cinema. Detalhe: foi o único filme de Falconetti, o que ressalta o caráter mítico deste filme.
De fato, a interpretação de Falconetti é quase hipnotizante, com aqueles longos e angustiantes closes. Ela nos faz sentir juntos toda sua agonia, sua perplexidade e principalmente, a sua fé naquilo em que acreditava.

As artimanhas dos seus julgadores (também magistralmente interpretados), para tentar fazê-la cair em contradição ou assumir coisas terríveis é enervante.

Talvez não tenha a agilidade de épicos atuais, entretanto é animado por uma energia tão forte, que é impossível não se comover com ele.

Pra quem gosta de bom cinema, acima de qualquer tecnologia, é filme obrigatório.

Nota: 8,5

Cotação no IMDb: 8.2 (10.750 votos)

Vídeo do filme

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