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Mete o Rock - 19/11/10

Por Pablo Silveira

Venho pela primeira vez teclar por aqui no blog do Rafa, e vim falar de algo que gosto por demais, música.

Achei que fosse cabido eu abordar o segundo álbum de uma das minhas bandas preferidas, o Angra (mas gosto desta banda apenas da primeira fase com formação original, que durou).

Banda 100% brasileira, que fez excelente sucesso (dentro do seu segmento) no exterior e que tinha:
  • nos vocais o maestro por excelência André Mattos (também era o tecladista da banda);
  • Rafael Bittencourt na guitarra base (se é que dá para chamar o que o cara faz de guitarra base) e tendo como melhor ponto os fortes timbres e swingues;
  • Kiko Loureiro na guitarra solo, sendo de grande técnica e velocidade;
  • Luis Mariutti no baixo que infelizmente as vezes fica apagado no meio de tanto floreio mas afirmo ser grande músico e de excelente performance ao vivo;
  • e Ricardo Confessori na bateria, sendo que este não gravou a bateria do primeiro álbum, entrou na banda logo após terem sido feitas as gravações fazendo até a turnê junto com a banda, mas veio apenas para estúdio no segundo álbum.
Este fato inusitado da gravação da bateria explica o porque venho falar do segundo álbum e não do primeiro, pois foi onde a banda estava com mais tempo de casa e fez, ai sim, a sua grande estréia.

A banda foi formada pelo dono da Rock Brigade, Toninho Pirani, que conseguiu juntar todos este músicos e aproveitar o embalo do metal melódico que estava em alta na Europa. Pirani desempenhou papel de empresário da banda até pouco, hoje a empresária é a Monika Cavalera (mulher do Igor Cavalera, baterista do Sepultura).

O som da banda é o de metal melódico, mas carregado de inspirações em música clássica erudita e com ampla aceitação de ritmos nacionais. Bom, agora que dei uma leve explanada acerca da banda vamos ao disco.

Holy Land é um álbum temático, fundamentado nas grandes navegações do século XVI, em especial no descobrimento do Brasil e sua colonização pelos portugueses, no entanto, não é um álbum conceitual, o que deixa as letras (belíssimas) livres para interpretação.

Os temas viajam com a história, passando pelas dificuldades da navegação, pela visão das terras do mundo novo, os habitantes do lugar, a saudade da Europa... A música clássica está muito presente, dando um ar meio “renascentista”, em especial, às canções que retratam o mundo europeu da época.

No entanto, o grande diferencial do álbum, é a inclusão, em grande quantidade, de brasilidade no álbum – enquanto a maioria das bandas de Power Metal (inclusive o Angra no cd seguinte) seguiam o modelo europeu, a banda buscava uma personalidade própria muito interessante.

Tendo a primeira faixa do disco, "Nothing to Say", logo de saída com uma levada de baião com triângulo e paradinha de tamborim. A música “Carolina IV” começa já com uma batida timbalada e guitarra seguindo bem o estilo.

Em resumo, em todo o disco vê-se influências brasileiras, tendo ritmos de timbalada, baião, samba (a paradinha), música barroca, MPB, influência de música negra, música indígena, etc... não irei exemplificar música a música, é melhor ouvir.

O sucesso comercial do disco é da faixa “Make Believe” onde o clipe teve boa aceitação na MTV concorrendo ao clipe do ano. Em todo álbum os vocais estão bem acertados e afinados, sem ser técnico em demasia e nada muito rasgado também. Há a entrada de vários instrumentos a mais no álbum, como teclados, pianos, flautas, violinos, violão celo, percussão de todo tipo, etc...

Os timbres de guitarra foram precisos, mesmo o Kiko Loureiro insistindo em usar uma Tagima (maldita propaganda). O som da bateria é o melhor já gravado pelo Angra, sendo muito bem aproveitado os bumbos duplos, coisa que era novidade ser tão usado na época.

O baixo faz a cozinha muito bem, segurando as pontas para os demais poderem se exibir (lá vai o baixista se sacrificar pelo bem comum), a não ser na música “Carolina IV” que o rapaz deixa para se exibir um pouco.

Pouco sobrou no Angra atual dos tempos de Holy Land, a banda ganhou em peso e qualidade técnica, mas perdeu em melodia e influência da música brasileira.

Fica a dica deste álbum que para mim, com certeza é um álbum nota 10, que vez ou outra me pego escutando e redescobrindo novas coisas nele.

Da esquerda para a direita: Kiko Loureiro, Luis Mariutti, André Mattos, Ricardo Confessori e Rafael Bittencourt.

*obs.: queria comunicar que escrevo mal, e me expresso pior, então relevem o texto, mas procurem pegar a essência e, para quem gosta do segmento, escutar o álbum.

** obs.: o Rafa havia me pedido para escrever sobre as Minas do Camaquã, coisa que eu não fiz, por falta de tempo e preguiça acumuladas, então resolvi faltar de algo que eu realmente goste.

*** obs.: apenas para constar, hoje a banda é André Falasci (voz), Rafael Bittencourt (guitarra), Kiko Loureiro (guitarra), Filipe Andreoli (baixo), Ricardo Confessori (bateria, este saiu e voltou a banda a pouco) e Giovanni Fabbri (teclados).

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