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Pimenta do Élbio - 23/11/10

Por Élbio Porcellis

Desperdício

Recebi um email intitulado "Carta do ano 2070" e fiquei realmente preocupado. O tema é a falta de água e todas as questões decorrentes dela: genéticas, políticas e sociais.

Já faz alguns anos que tenho grande cuidado com o consumo de água. comecei por não desperdiçar lavando carro e calçada com mangueira aberta.

Hoje meu carro é lavado fora, uma vez por mês e a calçada a cada quinze dias. Sem excesso.

Num segundo momento passei a um banho mais equilibrado, prático. Em vez da antiga uma hora, dez minutos bastam para um banho realmente muito bom, atendendo todos os ítens de higiene.

Para escovar os dentes, a água não fica mais escorrendo - nem mesmo um pequeno filete - durante a escovação.

Isso vai resolver o futuro problema de falta de água do planeta? Isoladamente não, mas se cada um começar a fazer a mesma coisa e for motivando seus amigos e estes aos seus amigos e conhecidos, usando os bate papos informais, o MSN, Orkut, Facebook, aos poucos, isso poderá ser o habitual de todos, a regra e não a exceção.

Pode parecer difícil, pode parecer complicado, pode parecer que os amigos não vão dar bola para tal coisa mas não é bem assim. A água que escorria durante a minha escovação, e que agora não escorre mais, é fruto de um lembrete de uma única vez em que eu e meu filho escovávamos os dentes juntos - provavelmente ele nem lembra disso - e ele me disse:

- "Por que a torneira está aberta?"
- "É só um filete e já vamos fechar", eu disse.
- "Não é tão difícil fechar e depois abrir de novo só para lavar a escova", disse ele.

E assim foi. Nunca mais a torneira ficou aberta durante a escovação.

Hoje, quando vejo pessoas lavando suas calçadas, com a mangueira escorrendo água que poderá faltar em poucos anos, fico muito triste, mas não digo nada. Isso não é coisa que se possa impor. Cada um terá o seu momento de entendimento. Tomara que não venha quando tiver sede e não houver o que beber.

Sem qualquer conotação piegas ou apocaliptica.

Um alerta: o São Gonçalo está no seu nível mais baixo em todos os tempos.

N.B.: o filho se lembra como se fosse hoje daquele diálogo ecológico citado acima...

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