Pular para o conteúdo principal

Mete o Rock - 03/12/10

Por Pablo Silveira

Olá, mais uma vez. Hoje venho falar de um outro estilo musical, até estranho em uma coluna de nome “Mete o Rock”, mas este álbum é especial.

Das primeiras bandas dos anos 80 a se assumir como pop foi o Kid Abelha e os Abóboras Selvagens. Na época, apesar da grande maioria ser pop, era comum se dizerem rock.

Álbum Meio Desligado

Mas o Kid Abelha mesmo sendo pop não se ateve apenas as levas pops e afins, lançando moda e sendo sempre uma banda de grande expressão em âmbito nacional.

Muito antes de ser uma febre o Acústico MTV, ao qual o Kid Abelha se rendera tempo depois como todas as bandas pops, eles lançaram um álbum acústico, o Meio Desligado de 1995, na época ele nem teve a ênfase de ser acústico, era tido apenas como mais um ao vivo.

Como este álbum era feito pelo Kid e não pela MTV, ele não teve a roupagem clássica de um acústico feito pela emissora. Vejam bem que não sou contra os acústicos feitos pela emissora, apenas é legal ter algo feito fora da forma, do padrão e mesmo assim ser feito com qualidade ímpar.

Acredito que a escolha do repertório do primeiro acústico é bem melhor que o feito (e em parte o repertório é imposto) pela MTV, naturalmente um trabalho melhor sendo feito com mais liberdade.

O disco começa com a música Deus, com uma levada gostosa, depois vem Alice que tem um toque de tango dado por uma gaita ao fundo e com Paula Toller se esbaldando em falsetes.

Como eu Quero, que é a música de romance mais egoísta da história segundo Leoni (ex-Kid Abelha e autor da música), tem uma inserção de MPB e a participação muito especial de Ritchie - rara vez que vejo ele cantando algo que não seja Menina Veneno.

Por Que Não Eu?, com direito até a solo de George Israel, Seu Espião que é um excelente hit esquecido da banda. Grand Hotel teve introdução instrumental bem estilo anos 70 no melhor estilo possível, dando uma roupagem de devida grandiosidade a uma das melhores músicas da banda.

Comparando o acústico feito pelo Kid com o feito pela MTV, o primeiro é mais intimista, mais triste, melhor arranjado e é o disco onde a Paula Toller melhor mostra a sua excelente voz. Uma triste realidade é que pouca gente lembra-se este álbum, pois ele não teve uma gigante do ramo lançando-o. Teve boa vendagem, mas o pop dificilmente fica gravado na história.

Claro que há alguns pequenos erros, como o elevado som da plateia (ouve-se muitos gritos claros na gravação), muito reverb hall na voz as vezes, mas de forma geral são coisas da época.

Vejo este como o melhor trabalho da melhor banda pop do Brasil.

Segue abaixo o set list do disco:

1. Deus (Apareça na Televisão)
2. Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)

3. Gosto de Ser Cruel
4. Como Eu Quero
5. Por que Não Eu?
6. Seu Espião

7. Eu Tive um Sonho
8. O Beijo
9. Cristina
10. No Meio da Rua
11. Nada por Mim

12. Grand' Hotel (Introdução)
13. Grand' Hotel
14. Solidão Que Nada
15. Canário do Reino
16. O Beijo (apenas no CD)

O disco recebeu disco de ouro, platina e duplo de platina. Teve excelente vendagem na época. Foi o último trabalho da banda a sair em long play (vinil).

Foto da banda em formação atual

Foto da vocal Paula Toller (que é só o que importa de se ver nos shows)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filme: A Esposa

The Wife EUA 101 min Direção: Elenco: Gleen Close,  Jonathan Pryce, Christian Slater Enquanto viaja para Estocolmo com o marido, que receberá o Prêmio Nobel de Literatura, Joan questiona suas escolhas de vida. Durante os 40 anos de casamento, ela sacrificou seu talento, sonhos e ambições, para apoiar o carismático Joe e sua carreira literária. Assediada por um jornalista ávido por escrever uma escandalosa biografia de Joe, agora Joan enfrentará o maior sacrifício de sua vida e alguns segredos enterrados finalmente virão à tona. Gosto de filmes que começam de um modo e aos poucos vão se revelando e mudando as expectativas iniciais da trama. Este é um deles.  Um roteiro cheio de sutilezas, bem dirigido e potencializado por ótimas atuações, em especial, claro, da Gleen Close. Olivia Colman foi bem em A Favorita, mas nem perto do desempenho da protagonista deste filme aqui. Tanto as palavras quanto os silêncios dela dizem tudo. Performance sensacional, mesmo. ...

Filme: Larry Crowne - O Amor Está de Volta

Larry Crowne EUA, 2011 - 98 min Comédia / Romance Direção: Tom Hanks Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Bryan Cranston, George Takei, Cedric 'The Entertainer' Quando dois, nem digo super, mas sim, mega-astros se unem para estrelar um filme, o senso comum diz que ele deve ser no mínimo, interessante. Hã... não. Larry Crowne não é bom, não. A trama é a seguinte: depois de ser demitido, o amável Larry Crowne volta para a faculdade, onde se apaixona por sua professora casada. Uma historinha mixuruca, Tom Hanks atuando como se fosse Forrest Gump 2 e Julia Roberts no papel mais chato de sua vida. Pelo menos Hanks, mesmo com um roteiro fraco em mãos, mostra uma ótima mão para dirigir em um incrível hiato de 15 anos sem praticar a habilidade em longas (só havia dirigido o ótimo The Wonders do distante 1996). E o grande George Takei (o eterno Sulu de Star Trek) rouba a cena todas as vezes em que surge na tela. Genial. Até dá pra assistir, mas só se não tiver nada, mas bota nada realmen...

Filme: Juntos Pelo Acaso

Life As We Know It EUA, 2010 - 115 min. Comédia/Drama/Romance Direção: Greg Berlanti Elenco: Katherine Heigl, Josh Duhamel, Josh Lucas, Christina Hendricks, Jean Smart Tá ficando muito brabo assistir comédias românticas yankees. É tudo tão padronizado que chega a irritar. Tudo bem que se eu fosse produtor e me dissessem que eu gastaria uns U$ 20 milhões e arrecadaria fácil, o dobro ou mais que isso com um filme que já vem com uma fórmula certeira - casal-principal-não-se-dá-bem-porém-depois-veem-que-são-feitos-um-pro-outro-mas-brigam-a-20-min-do-final-mas-acabam-ficando-juntos , talvez eu gostasse da ideia. Mas sendo espectador, é um saco ver sempre a mesma coisa. Salvo raras exceções como os filmes da Nancy Meyers (sim, sou homem, mas gosto dos filmes dela...) que primam pela esperteza de diálogos e uma maior sensibilidade, ou por outros como A Proposta , que foi extremamente engraçado, a grande maioria da produção deste gênero está sendo muito chato de aguentar. Esse Juntos Pelo Acas...