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Filme: Senna

Brasil, 2010 - 107 min
Documentário
Direção: Asif Kapadia
Elenco: Ayrton Senna, Alain Prost, Frank Williams, Ron Dennis, Jean-Marie Balestre


É até difícil fazer um comentário isento deste filme, tamanho é o envolvimento emocional que o homem/personagem Ayrton Senna desperta em mim - e em tantas outras pessoas, brasileiras ou não.

Em uma época na qual a autoestima do brasileiro era ridícula, com um país recém saído de uma ditadura militar, onde vivíamos sob uma inflação que batia os 1000% ao ano.

Naquele tempo em o Brasil era desacreditado por toda comunidade mundial, onde nem o nosso futebol era mais motivo de orgulho, Ayrton Senna brandia com orgulho nossa bandeira a cada vitória dominical, para todo o planeta saber de onde vinha aquele piloto de talento quase sobrenatural.

Então este excepcional esportista, foi alçado ao patamar de ídolo máximo, quase um heroi, ou como dizem alguns depoimentos no filme, "A única coisa boa do Brasil".

Isso tudo, ele foi, vivo.

Porém, morrendo daquela forma tão trágica e aos olhos atônitos de todo o mundo, ele se elevou a algo mais alto ainda. Ayrton Senna se tornou um mito.

E Asif Kapadia, britânico de descendência indiana, consegue com grande habilidade montar todo esse mosaico que fez com que o nome do nosso maior piloto virasse a lenda que hoje ele é.

Sem contar com um narrador, apenas mostrando comentários de especialistas (Reginaldo Leme é um dos que mais aparece) e as cenas de ação, de bastidores, entrevistas, ou até uma reunião em família, Kapadia nos mostra várias facetas de Senna, inclusive algumas pouco conhecidas como as dele lutando contra a politicagem na F1 e pela melhoria na segurança dos pilotos (dá vontade de dar um soco na cara do Balestre, inimigo público nº 1 do Brasil no final dos anos 80.

A dualidade da relação entre ele e Alain Prost também é muito bem conduzida, pois o misto de rivalidade e admiração mútua que permeava os dois, foi um dos maiores motores para Senna ter tido o tamanho que teve - afinal, se mede o tamanho da vitória pelo tamanho do rival abatido e Prost foi inegavelmente um espetacular piloto.

Quase todos os grandes feitos de Senna estão lá:
  • a corrida de Mônaco, em 1984, interrompida exatamente quando Senna a bordo de uma inacreditável Toleman iria ultrapassar Prost e obter uma vitória histórica;

  • a primeira vitória, em Portugal, pela Lótus;

  • o primeiro título no Japão em 88;

  • as peleias de 89 e 90, onde Senna e Prost protagonizaram os momentos mais marcantes da história da F1, com um título "feio" para cada um - mas como o Senna apenas deu o troco, saiu melhor na foto que o Professor;

  • e o tri, novamente no Japão.
Apenas senti falta daquela que para mim, foi a maior corrida de Senna, em Donington Park, 1993. Contra Prost, agora no cockpit de uma Willams imbatível por conta de aparelhagens eletrônicas inéditas, ele humilhou o piloto francês, com uma aula de direção na chuva.

Em uma corrida em que a chuva caía e parava, Prost fez absurdas 7 trocas de pneus, enquanto Senna fazia o impossível, voando com pneus slick em uma pista totalmente molhada, com o requinte de crueldade de no final, dar uma volta de vantagem no francês.

Tal performance, fez alguns veículos de comunicação esportiva, apelidarem-no de Reitor, um trocadilho mordaz para com o Professor Prost. Para mim, inesquecível.

Mas tirando esse pequeno lapso, penso que o filme todo foi bem construído e a atenção especial dada à última corrida, aos muitos detalhes daquele fim de semana negro de diversos acidentes, é o ponto alto da película.

O desfecho também é sensível, relacionando pessoas queridas de Ayrton com cenas de arquivo, tudo com bom gosto e respeito.

Ficou bem maior que as resenhas que costumo escrever, eu sei, mas Ayrton Senna da Silva é alguém de quem eu e tanta gente a qual ele inspirou de maneira tão positiva, temos muito o que falar...

Nota: 9,0

Cotação no IMDb: 8.6 (442 votos - que divulgação teve esse filme para ter tão pouca gente no site mais acessado do mundo em matéria de cinema?)

Trailer


Comentários

Renata disse…
Puxa vida...que saudade me deu daqueles domingos de manhã na cama dos nossos pais! Já coloquei a baixar.
Paulo Dias disse…
O filme é sensacional, a carga emocional é fortíssima, lembranças de família reunida aos domingos para assistir aos show de Ayrton.
O momento do acidente fatal é tão forte na memória, que aposto, que todos lembram de onde estavam naquele instante, coisa que, para mim, só tem outro acontecimento que eu lembre da mesma forma, o 11 de setembro.
O filme só não é mais perfeito porque o cara que fez o filme não deve ter assistido a todas as corridas com a família, na globo com a narração do Galvão e comentários de Reginaldo Leme, mas principalmente porque ele não tem um amigo que deu para ele um presente desses:
Presente Perfeito
Rafael Barbosa disse…
Bá guerreiro, tu sabe q tu é dos meu...
O Senna marcou a todos nós e eu não podia ter escolhido melhor pessoa para presentear com esse desenhinho...

Abração meu bruxo!

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