Voltando à nossa temática de dar uma pincelada nos grandes rockeiros gaúchos, hoje vamos com um post a pedidos.Meu bruxo Thiago Borges pediu e levou: hoje é dia do Engenheiros do Hawaii aparecer aqui no Mete o Rock!
Certamente é a banda gaúcha de rock de maior alcance nacional até hoje - Nenhum de Nós talvez seja tão bom quanto mas não teve tanto reconhecimento quanto eles fora do RS e a Fresno, tem muita lenha pra queimar ainda.
Capitaneada pelo multifuncional Humberto Gessinger, letrista de mão cheia, compositor de belas melodias e ainda vocalista de personalidade, a banda começou a dar seus primeiros passos em 1985, ainda como um juntamento de alunos da Arquitetura da UFRGS.
No ano seguinte, com algumas mudanças nos integrantes, lançam o primeiro disco: Longe Demais das Capitais.Além da faixa título, "Toda Forma de Poder" e "Segurança" (que fizeram parte de trilhas sonoras de novela, inclusive), traziam um rock com letras bem trabalhadas falando sobre temas existenciais e uma pegada marcante.
Mais um ano se passou e com a banda tendo algum reconhecimento e com Augusto Licks na guitarrista, passando Gessinger para o baixo, em 87 sai A Revolta dos Dândis.Um disco ainda melhor que o de estreia. Fora a faixa-título, ainda tem "Infinita Highway", "Terra de Gigantes" e "Refrão de Bolero", algumas das músicas mais clássicas do repertório dos Engenheiros.
As letras cheias de trocadilhos e profundidade filosófica ficavam cada vez mais elaboradas, além da sonoridade, uma mistura de progressivo com ska, dar um toque bastante peculiar à banda. A partir daqui, começam a desfilar cada vez mais por todo o país em diversos shows.
Mantendo a média de um disco por ano, em 88 sai Ouça o Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém. Continuando as tendencias de Dândis, vem com aquele som provocante e traz mais um super-clássico, "Somos Quem Podemos Ser", além da canção que dá nome ao disco.Não acho tão bom quanto o anterior, mas é bem bacana, com aquela avalanche de criatividade do Humberto e cia.
Vem 1989 e com ele Alívio Imediato, o primeiro disco ao vivo. Gravado no Canecão no Rio, traz todos sucessos dos 3 primeiros e ainda duas inéditas de estúdio: "Nau à Deriva" e "Alívio Imediato".Com a formação mais conhecida, Gessinger (vocal, baixo e teclados), Licks (guitarra) e Maltz (bateria), vendeu adoidado e quase todo adolescente da época tinha aquele vinilzão de capa amarela.
Tem um aspecto um pouco mais eletrônico que viria com toda a força no trabalho seguinte.
O Papa é Pop (1990) é o primeiro produzido por eles próprios e é outro que vendeu como água. Uma enxurrada de clássicos e a popularidade dos Engenheiros nas alturas. Olha o nível de algumas das pérolas:- "Era um Garoto Que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones"
- "Pra Ser Sincero"
- "O Papa É Pop"
- "Olhos Iguais Aos Seus"
- "Anoiteceu Em Porto Alegre"
- "Exército De Um Homem Só"
Depois disso veio a participação deles no Rock'n'Rio II, performance que alucinou o público e arrancou elogios rasgados no New York Times.
E eles conseguiram melhorar ainda mais. No ano seguinte, vem um dos melhores que já ouvi na vida (e que fará parte do próximo Lista do Barbosa, aguardem), Várias Variáveis.Em 1991, ainda com o rio Gessinger dando vazão a uma quantidade absurda de músicas em tão pouco tempo, esse 5º trabalho de estúdio deles é fantástico. Todas as músicas tem alta qualidade, mas claro, algumas se destacam.
Voltando um pouco ao som que a banda tinha nos seus primórdios, "Herdeiro Da Pampa Pobre", "Piano Bar", "Ando Só", "Muros E Grades", "Sampa No Walkman" e "Museu De Cera" são as mais destacadas de uma obra-prima.
Só que a partir daí, a banda no seu auge, estranhamente, entra em queda livre.
Gessinger, Licks & Maltz de 1992 é bom mas já de nível bem inferior aos últimos discos. Ainda assim, tem "Parabólica", uma homenagem à sua filha Clara e "Ninguém = Ninguém" são canções que fazem parte das imortais do repertório dos Engenheiros.
Em 93, Filmes de Guerra, Canções de Amor veio com releituras de músicas antigas, só que tocadas de um jeito mais acústico.Tem também algumas inéditas, mas em geral, mesmo com a participação da Orquestra Sinfônica Brasileira em algumas faixas, é um trabalho meio irrelevante na biografia deles.
Nesse ano tocaram no Hollywood Rock, mas não foram bem recebidos - os espertos produtores os colocaram a tocar na mesma noite do Nirvana, é brincadeira.
A decadência dos últimos dois anos estourou e depois de uma excursão ao Japão e EUA, a banda implode. Picuinhas, rixas e diferenças artísticas fazem que com vá cada um para um lado.
Sem poder usar o nome Engenheiros, Humberto surge com o Gessinger Trio.Grande talento que é, juntou uma galera boa e fez em 1995 um disco muito bom chamado Simples de Coração. Dali sairia "A Promessa", baita rock que ele incorporaria mais adiante nas apresentações do novo Engenheiros.
Em 97, volta o nome Engenheiros e daí para frente são alguns bons trabalhos esporádicos, mas na maioria das vezes, as canções antigas ditando o ritmo.
Um Acústico MTV em 2004 e outro avulso, Novos Horizontes, em 2007, dois discos de apresentações plugadas, 10.000 e 10.001 Destinos e lá de vez em quando alguma coisa original e geralmente, de qualidade muito inferior aos grandes discos do início da banda.
Desde 2008, Gessinger vem trabalhando com Duca Leindecker (Cidadão Quem) no projeto Pouca Vogal. Com um tom mais simples e introspectivo, não tem nada de revolucionário, mas é um som legal - só que, claro, eles também tocam as músicas das bandas antigas, não dá pra se desvencilhar dos tempos áureos de sucesso, principalmente no caso do Humberto.E essa sessão remember parece não ter fim. Gessinger já anunciou a volta da banda para o ano que vem, em comemoração ao 25º aníversário de A Revolta dos Dândis.
O que isso significa? Óbvio, Humberto e cia. cantando as mesmas velhas canções de sempre, que evidentemente continuarão maravilhosas.
Entretanto, para mim é triste vê-lo ainda cantando-as, pois representa a estaganação no tempo de um dos maiores artistas do rock brasileiro de todos os tempos...
Mas para um ser tão bem dotado de habilidades musicais, eu sempre espero que de uma hora para outra venha mais uma daquelas obras com sua marca registrada de excepcional autor.
Afinal, gênio não "termina". Eu, pelo menos, acredito nisso...

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